Com novos aportes e políticas públicas, MS avança na rota do carbono neutro

Estado atrai novos projetos de biometano, etanol de milho e amplia mercado de carbono

Por Por Redação-

(Créditos: Divulgação)

Resumo IA | MSConecta Tudo que você precisa saber — de forma rápida.

Mato Grosso do Sul está avançando em sua agenda de neutralidade de carbono, com foco em descarbonização, inclusão social e transição energética, conforme destacado pelo secretário Jaime Verruck em evento da Atvos. A empresa investe R$ 350 milhões na construção de uma planta de biometano e planeja R$ 2,36 bilhões em novas unidades de etanol de milho. O estado também implementa políticas que promovem a reintegração de pastagens degradadas e está criando um mercado de carbono, atraindo investimentos internacionais. Verruck enfatizou a importância de um ambiente de negócios sustentável, com ênfase na formação profissional e inclusão social, visando solidificar MS como uma referência em sustentabilidade e desenvolvimento duradouro.

Mato Grosso do Sul avança na agenda de neutralidade de carbono ao combinar políticas públicas, parceria com a iniciativa privada e forte atração de investimentos. As ações ligadas à descarbonização, à inclusão social e à transição energética foram destacadas pelo secretário Jaime Verruck, titular da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), durante sua participação no painel do Encontro Anual da Atvos: Parceiros Mais Fortes, realizado ontem (27), em Campo Grande. O evento reuniu fornecedores e parceiros da empresa para reforçar relações e apresentar estratégias do setor sucroenergético.

Nos últimos dois anos, a Atvos ampliou significativamente seus aportes no Estado. A companhia está investindo R$ 350 milhões desde o ano passado na construção de sua primeira planta de biometano em Mato Grosso do Sul, localizada na usina Santa Luzia, em Nova Alvorada do Sul. A unidade, que utilizará resíduos da cana-de-açúcar, terá capacidade instalada de 28 milhões de metros cúbicos por safra.

Em 2025, a empresa anunciou um novo ciclo de investimentos, somando R$ 2,36 bilhões para instalar três plantas industriais em MS — uma de biometano e duas usinas de etanol de milho. A previsão é que cada unidade processe cerca de 534 mil toneladas de milho por safra e produza aproximadamente 250 milhões de litros de etanol de milho, projetos atualmente em estudo de engenharia.

Esses aportes se somam ao plano de investimentos divulgado pela Atvos em 2023, estimado em cerca de R$ 3 bilhões para três anos, com foco em expansão agrícola, modernização industrial e aumento da capacidade produtiva. Aproximadamente R$ 1 bilhão estão sendo aplicados na modernização da linha de produção e no incremento da produtividade da cana-de-açúcar. Hoje, a Atvos opera três polos no Estado — Santa Luzia, Eldorado (Rio Brilhante) e Costa Rica — empregando diretamente cerca de 4 mil trabalhadores.

Durante o evento, Verruck reforçou o papel da empresa na ampliação da matriz de energia limpa no Estado. “A Atvos, reconhecida no estado, possui unidades em Nova Alvorada, Rio Brilhante e Costa Rica. A empresa apresentou ao governo estadual sua adesão à rota do biometano, investindo na transformação de sua frota e contribuindo diretamente para a descarbonização. Além disso, a Atvos anunciou a entrada no mercado de etanol de milho, que será produzido em suas unidades de Nova Alvorada e Costa Rica, somando-se à produção de etanol de cana. Desta forma, a empresa se consolida como produtora de energia, etanol e biometano no Estado”, destacou.

O secretário também reiterou o papel estratégico de Mato Grosso do Sul na transição para a neutralidade climática. Segundo ele, políticas públicas e investimentos privados vêm acelerando resultados. “Em um período de três anos, conseguimos reintegrar ao processo produtivo cinco milhões de hectares de pastagens degradadas, destinando-as ao cultivo de eucalipto, soja e milho — uma iniciativa que não só otimiza a produção remanescente, mas também contribui de forma expressiva para a redução das emissões de metano.” A iniciativa equivale ao impacto ambiental de dois milhões de hectares de pastagens, afirmou.

Outro ponto destacado foi o avanço do Estado na criação de um mercado de carbono próprio, com o mecanismo REDD+ Jurisdicional. “Recentemente divulgamos nossos avanços no combate ao desmatamento e fomos habilitados para 85 milhões de toneladas de CO₂ equivalente”, disse. O edital para comercialização desses créditos está previsto para janeiro e já atrai interesse de investidores internacionais, especialmente fundos árabes.

Verruck lembrou ainda que iniciativas apoiadas pelo Estado vêm ganhando visibilidade global, como a primeira certificação de crédito de carbono do Pantanal — adquirida pela Singapore Airlines — e a certificação pioneira de crédito de carbono de uma universidade.

No campo do saneamento básico e da logística reversa, o secretário ressaltou que o Estado trabalha para universalizar o saneamento em três anos. Na logística reversa, MS já alcança cerca de 13 quilos coletados por habitante, liderando o ranking nacional e reunindo praticamente todas as empresas sob a normativa estadual.

Ao comentar a meta de declarar Mato Grosso do Sul como carbono neutro, Verruck reconheceu que os desafios continuam. “Talvez a concretização plena só ocorra em 2031 ou 2032 — mas o importante é que estabelecemos um propósito claro, legítimo e duradouro”, afirmou.

Durante sua apresentação, o secretário reforçou que o Estado busca construir um “ambiente de negócios” baseado em confiança, sustentabilidade e política social. A estratégia envolve garantir que o avanço do setor privado não sobrecarregue os serviços públicos nas regiões que recebem novos empreendimentos.

Além da política habitacional, Verruck citou o papel do MS Qualifica e a valorização da formação profissional como elementos essenciais para reduzir a rotatividade e assegurar que o desenvolvimento econômico resulte também em inclusão social. Ele encerrou afirmando que, mesmo que os prazos sejam ajustados, o compromisso central permanece: consolidar MS como referência em sustentabilidade, energia renovável e desenvolvimento duradouro — gerando valor para empresas, produtores e toda a sociedade.