Secretário adjunto defende criação de “condições de mercado” para políticas ambientais no Pantanal
Durante seminário na UFMS, gestores reforçaram a importância da articulação entre academia e iniciativa privada
(Créditos: Divulgação)
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Durante o Seminário Nacional sobre o Uso Sustentável das Formações Campestres no Brasil, o secretário adjunto da Semadesc, Artur Falcette, destacou a importância de criar condições de mercado para viabilizar políticas ambientais no Pantanal, mencionando a falta de oferta de sementes nativas como um grande obstáculo para produtores. Ele enfatizou a necessidade de levar ideias discutidas a campo, especialmente para a iniciativa privada, que gere 97% do território pantaneiro. O diretor de Florestas do Ibama, Renê Luiz de Oliveira, também apoiou a discussão sobre a sustentabilidade, contestando a ideia de que o uso dessas áreas prejudica sua proteção, citando o exemplo do Pantanal, que mantém alta preservação. O seminário continua com debates sobre conservação e práticas históricas até o dia 26, seguido de uma visita técnica nos dias 27 e 28.
Durante a abertura do Seminário Nacional “Uso Sustentável das Formações Campestres no Brasil”, o secretário adjunto da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Artur Falcette, destacou que a criação de “condições de mercado” é essencial para viabilizar políticas ambientais no Pantanal. O evento, promovido pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), ocorreu na manhã dessa terça-feira (25), na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).
Falcette pontuou que produtores interessados em substituir a pastagem tradicional por variedades nativas enfrentam um obstáculo básico: a inexistência de oferta comercial de sementes de capim pantaneiro. “Não temos nenhuma empresa que reproduza e comercialize semente de capim nativo. Esse indivíduo precisa ter na prateleira o produto”, afirmou, reforçando a necessidade de estruturar um mercado capaz de sustentar políticas ambientais.
O secretário adjunto também ressaltou que ideias e propostas debatidas em encontros técnicos precisam chegar ao setor produtivo para ganhar efetividade. “É importante que tenhamos a capacidade de colocar essas ideias embaixo do braço e levar lá na ponta, para quem de fato faz as coisas acontecerem, que são na maioria das vezes a iniciativa privada”, disse. Ele lembrou ainda que 97% do território pantaneiro está em propriedades privadas.
O diretor de Florestas do Ibama, Renê Luiz de Oliveira, concordou com o posicionamento de Falcette e afirmou que o órgão “está aberto a discutir a sustentabilidade do uso das formações campestres”. Segundo Oliveira, existe um estigma de que o uso dessas áreas diminuiria seu nível de proteção — percepção que precisa ser revista. Ele citou o Pantanal, “ocupado há 300 anos e com elevado índice de preservação (mais de 80% de sua vegetação nativa está intacta)”, como exemplo de que o estigma não se sustenta.
A cerimônia contou ainda com a presença das superintendentes do Ibama em Mato Grosso do Sul, Joanice Batilani, e de Mato Grosso, Cibele Madalena Xavier Ribeiro; além da reitora da UFMS, Camila Ítavo, entre outros convidados. O Seminário segue até amanhã (26), com debates sobre uso sustentável e impactos na conservação dos recursos naturais campestres, considerando efeitos históricos de práticas como pastejo e fogo. Nos dias 27 e 28, a programação prevê uma visita técnica na sub-região do Pantanal do Abobral, no Passo do Lontra, nos municípios de Miranda e Corumbá.