MS apresenta matriz energética 94% renovável em fórum empresarial na Itália
Secretário Jaime Verruck expôs liderança de MS em biomassa, biometano e soluções de energia para áreas remotas
(Créditos: Divulgação)
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Mato Grosso do Sul se destacou no LIDE Brasil Itália Fórum, apresentando uma matriz energética com 94% de fontes renováveis, superior à média nacional de 85%. O secretário Jaime Verruck enfatizou a liderança do estado na geração de energia a partir de biomassa e o modelo de transição energética no Pantanal, que utiliza energia solar para comunidades isoladas. O estado também está investindo em projetos de biometano para descarbonizar o transporte. Além disso, reafirmou seu compromisso com a neutralidade de carbono até 2030 e aderiu ao Selo Verde europeu para atender padrões ambientais em exportações.
Mato Grosso do Sul apresentou, nesta terça-feira (25), em Roma, o desempenho que o coloca entre as principais referências da transição energética no país. Durante o LIDE Brasil Itália Fórum, o Estado destacou sua matriz energética composta por 94% de fontes renováveis, índice superior ao nacional, que atualmente está em 85%. Os dados foram apresentados pelo secretário Jaime Verruck, da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), no Painel 2, dedicado ao debate sobre Transição Energética e Minerais Estratégicos e às iniciativas de cooperação entre Brasil e Itália.
O encontro reuniu lideranças do setor energético e industrial, como Hélio Costa, presidente do Conselho de Administração da Light; Jean Paul Prates, head do LIDE Energia e ex-presidente da Petrobras; Tommaso Cassata, conselheiro geral da Sicindustria; Riccardo Pozzi, diretor da Enel Itália; e Roberto Giannetti, head do LIDE Comércio Exterior. A moderação ficou a cargo de João Doria Neto, CEO do LIDE Global, e Giacomo Guarnera, presidente do LIDE Itália. A Enel sediou o painel.
A participação sul-mato-grossense integra uma missão empresarial articulada pela Fiems. Na segunda-feira (24), também em Roma, Verruck acompanhou o vice-presidente da Federação das Indústrias, Crosara Júnior, em reunião com o presidente da Confindustria, Marco Nocivelli, reforçando o papel do acordo Mercosul–União Europeia e ampliando possibilidades de internacionalização para a indústria do Estado.
Energia renovável e projetos estratégicos
Ao detalhar o panorama energético de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck afirmou que o Estado se consolidou como líder nacional na geração a partir de biomassa. “As usinas sucroenergéticas e indústrias de celulose respondem por grande parte da energia produzida localmente e aproximadamente metade do total gerado é injetado no Sistema Interligado Nacional”, explicou. Ele ressaltou que, embora o Brasil tenha capacidade de geração superior à demanda, enfrenta entraves na transmissão. “Alguns empreendimentos deixam de se conectar por falta dessa infraestrutura, não por ausência de energia e o governo federal deve realizar novos leilões para ampliar a rede”, acrescentou.
O secretário também apresentou o Pantanal como modelo de transição energética justa. Para atender comunidades isoladas, o Estado substituiu redes convencionais por sistemas individuais de energia solar. “Hoje, três mil pontos no Pantanal Sul-Mato-Grossense operam com energia solar instalada em cada residência, reduzindo impactos ambientais e garantindo acesso contínuo, modelo que pode ser replicado em regiões remotas da Amazônia e do Pará”, destacou.
Verruck apontou que o próximo desafio do país na transição energética está na descarbonização do diesel. Como Mato Grosso do Sul não possui volume suficiente de resíduos urbanos para produzir biometano via aterros, a estratégia estadual está centrada na bioenergia. “Mato Grosso do Sul já soma mais de R$ 3 bilhões em projetos de biometano destinados à substituição do diesel no transporte, incluindo o desenvolvimento do Corredor Azul, que conecta a produção local à logística de cargas. Caminhões Iveco e Scania, fabricados para operar a biometano, já estão em testes em rotas de proteína animal rumo a São Paulo”, pontuou.
Compromisso climático e certificações internacionais
O secretário também citou avanços recentes da agenda climática. Durante a COP 30, o Estado aderiu ao sistema europeu de Selo Verde, em parceria com a AL-Invest, permitindo que produtos sul-mato-grossenses atendam aos critérios de rastreabilidade ambiental exigidos pelos países europeus no EUDR. Ele afirmou que cabe ao poder público garantir segurança ambiental e regulatória para fortalecer o comércio internacional.
Jaime Verruck reforçou ainda o compromisso estadual com a meta de neutralidade de carbono até 2030 — definida há dez anos — e apresentou as políticas já implementadas, como pagamento por serviços ambientais, inventário obrigatório de emissões em indústrias e ampliação das rotas de carne carbono neutro e carne de baixo carbono, com validação da Embrapa. “A COP 30 demonstrou que o Brasil possui base científica sólida para comprovar a sustentabilidade de sua produção agropecuária e energética, e Mato Grosso do Sul reafirma que, em 2030, o território estadual será carbono neutro”, finalizou.