Inox em todos os lugares: "Lugar de mulher é na cozinha?" A história de Nathalia Nedopetalski, sócia proprietária da Inox

Envolvida com o mundo do aço desde criança, Nathalia conta sua trajetória no segmento

Por

São comuns as histórias de negócios familiares em que as gerações mais novas assumem, desde cedo, ocupações dentro das empresas. Para muitos, esse destino pode ser visto como um fardo ou obrigação. Contudo, para Nathalia Nedopetalski, estar dentro da fábrica e no meio industrial é algo natural desde a infância.

Nascida em Campo Grande, Nathalia guarda na memória lembranças da fábrica do pai, que produzia e vendia equipamentos de padaria. “Eu sempre falo que nasci dentro do forno (risos). Meu pai sempre teve indústria, então a minha brincadeira era ficar dentro da fábrica. Acompanhei ele ali e todas as minhas lembranças de infância são nesse meio”, conta.

Com 12 anos, Nathalia já participava do dia a dia da loja, ajudando a atender o telefone, anotando recados e, posteriormente, atuando no financeiro. Segundo ela, passou por todas as áreas da produção, colocando a mão na massa em vários momentos. Porém, sua parte favorita sempre foi a comercial e o atendimento ao cliente. “Eu não cheguei ali como dona e acho isso muito importante: passar por todos os processos. Só sabe liderar quem souber como se faz”.

Aos 18, ao assumir parte na diretoria da fábrica, iniciou uma nova etapa, voltada à produção de aço inox. “Foi uma evolução! O mercado começou a engolir as padarias e tivemos que adaptar nosso trabalho para todo o nicho de alimentação”. Com isso, além de fabricar algumas peças, a empresa passou a representar outras marcas de máquinas.

Já envolvida na gestão do negócio, a empresária decidiu se especializar no nicho de cozinhas industriais, também feitas de inox. Para isso, foi aos Estados Unidos e se aprofundou no estudo dos fluxos de produção e montagem das cozinhas. Quando voltou, Nathália entrou em uma “crise existencial”. “Eu pensava, ‘será que eu quero isso mesmo ou será que eu estou fazendo isso por- que meu pai fez’. Com isso, descobri que um dos meus talentos era me comunicar, e comunicar nada mais é do que vender. Então criei uma profissão para mim, a de consultora de cozinhas industriais”.

Como consultora, Nathalia auxilia na criação, no fluxo e na lógica do funcionamento de uma cozinha industrial. “Ajudo muitos arquitetos e engenheiros, pois eles sabem fazer o projeto, mas não sabem qual é o equipamento que tem que começar e terminar para ter uma segurança alimentar, uma lógica. O pessoal me chama de Rainha do Inox! Eu quis trazer essa auto- ridade do inox, porque ele está em tudo, em cozinhas e até hospitais”, explica. Assim, ela busca soluções para seus clientes utilizando processos e maquinários que padronizam as produções e são vendidos na fábrica da família.

Nathalia conta que sua trajetória a fez perceber o potencial e as qualidades que Mato Grosso do Sul possui, além do diferencial de sua atuação no estado. “Eu sei que é uma cultura muita gente se mudar de MS. Vejo que muitas pessoas saem daqui porque acham que em outro lugar é melhor, mas eu quero levar o MS daqui pro mundo e mostrar que o estado é riquíssimo. Temos muita terra para onde crescer, oportunidades, qualidade de vida, comida boa, segurança, árvores, e conseguimos juntar tudo isso em um lugar”.

Dentre os desafios que enfrentou, ela pontua a falta de reconhecimento e pertencimento de quem é de MS, além de terem duvidado de sua capacidade, por ser mulher. “Mulher na indústria? Eu tinha 18 anos. Falavam assim: ‘o que você entende de máquina?’. Quase 100% dos clientes eram homens, foi difícil. Até os meus 24 anos era bem complicado”.

Como conselho, acredita que o primeiro passo é a descoberta da vocação e do talento pessoal, além de ser necessário acreditar no que está empreendendo. “Precisa fazer sentido pra você e é preciso ter persistência. Já ouvi vários ‘nãos’, mas nunca desisti pela conexão de levar soluções e o amor pelo o que faço”, conta.

Os próximos planos envolvem um e-book sobre a construção das cozinhas industriais de forma correta, o fortalecimento das consultorias e o investimento no e-commerce. Dentre os hobbies, o principal é viajar pelo mundo, além de jogar futevôlei, estar com a família e tomar bons vinhos.

LINK|-|https://drive.google.com/file/d/1G6B0tg7AJhaXKSqnXplcLNO4drOv_8kx/view?usp=sharing|-|Leia essa e mais matérias na 10° edição da CGCity!


Notícias Relacionadas »