Por Ana Laura Menegat
Muitos tutores têm vontade de adestrar seus pets, seja para ensinar comandos básicos de obediência, como os de ficar, dar a pata e sentar, seja para treiná-los para busca de objetos, companhia de pessoas com deficiência ou guarda residencial. Contudo, para que o processo de adestramento seja tranquilo e exitoso, é preciso tempo, dedicação, paciência e orientação especializada.
Pablo Soares é adestrador na Dog Prime, empresa que atua em Campo Grande, Cuiabá e São Paulo. Militar reformado, quando na ativa, ele trabalhava com cães policiais. Complementarmente, fez cursos sobre comportamento animal e adestramento. Para ele, o adestramento não é sobre ensinar comandos para o cachorro, mas ensinar a convivência harmoniosa. “Vemos como um bem-estar tanto para o animal quanto para o dono, porque se você não aprende a se comunicar com seu cachorro, você provavelmente terá uma série de problemas na hora de corrigi-lo”.
Quando um cachorro inicia o treinamento, a primeira etapa é de anamnese no animal e em seu dono, para saber informações como a idade do cão e porque a pessoa buscou o adestramento. A atendente Aline Gonçalves explica que o primeiro contato é importante para compreender as necessidades de cada caso. “A maioria das pessoas, quando nos procura, já têm um problema com o animal. Então, a gente primeiro entende o problema e explica o processo. Se o cliente não compreender que o adestramento é necessário, que é preciso seguir as orientações e praticar com o cão, é muito difícil dar certo. Deixamos isso bem claro desde o início”.
Existem diversos tipos de adestramento, dentre os que a Dog Prime realiza estão treinamentos para: cão de guarda, cão terapeuta, acompanhamento de pessoas com deficiência, convivência com crianças pequenas e até detecção de glúten em alimentos, no caso de cães cuidados por pessoas com doença celíaca. A equipe segue a regra de que os exercícios de adestramento são sempre feitos na presença do tutor, pois são eles que precisam aprender a se comunicar com seus animais.
Pablo ressalta que determinadas raças possuem uma predisposição para funções específicas, mas isso varia de animal para animal. “Muita gente quer um cão de guarda e acaba comprando o cachorro só pela raça. Compram um rottweiler, um pastor alemão, achando que já nasce como um cão de guarda, mas tem um monte que não é e que não tem perfil para isso, o que acaba frustrando o tutor. Se um cachorro não tem perfil, não dá pra treinar”.
Não existe uma idade certa para o adestramento. “Quando filhotes, os cães estão mais aptos a aprender os comportamentos ideais. Já cães adultos e idosos conseguem absorver melhor as orientações por possuírem mais atenção e foco que os filhotes”, destaca o instrutor.
Apesar das características individuais de cada cão, Pablo enfatiza que o adestramento, de modo geral, traz benefícios aplicáveis a todos os animais, já que o cão tende a ficar mais sociável, melhorando a convivência com humanos e com os outros animais. Além disso, o adestramento também é uma forma de inserir na rotina do cão a prática de exercícios físicos, o que ajuda na concentração e na qualidade de vida.