Armadillo: Projeto Tatu-Canastra busca conhecer e proteger espécie rara

Conheça o projeto

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Por Rúbia Pedra

Considerado pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) como uma espécie vulnerável, o que significa que “as melhores evidências disponíveis indicam que enfrenta um risco elevado de extinção na natureza em um futuro bem próximo, a menos que as circunstâncias que ameaçam a sua sobrevivência e reprodução melhorem”, o tatu-canastra, o Armadillo, é uma espécie rara entre os tatus e difícil de ser encontrada.

Ciente disso, em 2010, o zoólogo e pesquisador francês, Arnaud Desbiez, que morava no Brasil, teve a ideia de pesquisar sobre o animal. Assim, teve início no Pantanal o Projeto Tatu-Canastra, com o objetivo de conhecer a espécie e suas particularidades, como o ciclo de vida, movimentação e comportamentos, que, até então, eram desconhecidos.

O médico-veterinário e pesquisador do projeto há mais de 10 anos, Danilo Kluyber, conta que o primeiro passo foi comprovar a existência do tatu, já que, por ser uma espécie noturna, era pouco visto, sendo conhecido mais pelos “rastros” que deixava de suas tocas. “O Arnaud colocou armadilhas fotográficas para comprovar a existência dele e fotografou alguns indivíduos. Assim, com as imagens, pediu financiamento para algumas instituições, principalmente do exterior, que possuem fundos de conservação ambiental e aderiram ao Tatu-Canastra”, conta.

Danilo explica que a ideia era capturar os animais, colocar radiotransmissores e acompanhá-los a longo prazo para poder estudar e descobrir fatos e obter dados sobre a espécie. “Por exemplo, até 2012 não se tinha ideia de como era um filhote de tatu-canastra, não tinha registro na história. Só neste ano conseguimos acompanhar a Isabel, fêmea que ficou famosa no mundo por ser a primeira fêmea com registro com o filhote”.

Com os monitoramentos, foi possível afirmar que o tatu-canastra é a maior espécie entre as 11 presentes no Brasil, chegando até 1,50 cm de comprimento e pesando até 50kg. Além disso, descobriu-se que ele leva de sete a nove anos para atingir a maturidade sexual, tem um filhote a cada dois ou três anos e é um animal naturalmente solitário, se unindo com outro apenas para a reprodução.

Em 2016, o projeto se expandiu e se tornou uma ONG, o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAs). Com o aumento, também começaram a trabalhar com a espécie no Cerrado, além de outro projeto envolvendo o tamanduá-bandeira, chamado “Bandeiras e Rodovias”, com acompanhamento dos animais nas estradas do MS. “Ele é uma das três espécies mais atropeladas no MS, com média de 400/500 animais, mas o número pode ser maior. A ideia é entender por que ele sofre tantas colisões com veículos, qual o padrão de comportamento e movimentação”, explica Danilo.

Outro trabalho desenvolvido na ONG é o projeto “Canastras e Colmeias”, que surgiu quando os pesquisadores descobriram que os tatus atacavam as colmeias em busca de alimento, causando prejuízo para os apicultores. Assim, a iniciativa busca ajudar os produtores a introduzirem práticas e estruturas que evitem os ataques, como aumentar a altura das faixas, colocar cercas, entre outros. “As medidas ajudaram, demos também um certificado ambiental internacional que segue alguns critérios, é um selo na embalagem e isso agrega valor para o produto final”. Atualmente, são mais de 50 apicultores cadastrados.

Em 12 anos de pesquisa, o projeto já registrou mais de 50 indivíduos diferentes e a principal descoberta, além das particularidades das espécies, foi o papel principal do tatu-canastra na natureza. “Ele não tem o papel só de controlar insetos, mas tem o papel importante de prover abrigo para os outros, que se escondem de predadores usando as tocas feitas pelos tatus. Elas se mantêm em uma temperatura ambiente, sempre constante de 26 graus, então pode fazer calor ou frio fora que lá dentro é sempre a mesma, vira um abrigo térmico para várias espécies e assim classificamos ele como um engenheiro do ecossistema”, explica Danilo.

Com todas essas práticas, Danilo pontua que a busca é sempre de ações que ajudem a preservar as espécies e colaborar com os biomas e ecossistemas. “Começamos o projeto sem ter informação científica alguma sobre a espécie e, com os dados que colhemos, conseguimos trabalhar políticas públicas para a preservação. Fora a relação com as pessoas, instituições diversas e uma diversidade de profissionais, parcerias com universidades, educação em escolas e comunidades, são engrenagens”, finaliza.


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