Prático e bonito: hair design
Conversamos com o hair designer Diego Brandão sobre o mercado e as tendências para os cabelos
Por Rúbia Pedra
O mercado da beleza passou por transformações no período da pandemia. Agora, o consumidor deseja mais praticidade, tem um perfil mais exigente e busca produtos e procedimentos com maior custo-benefício. Também, deseja mais cores, seja nos cabelos, roupas ou maquiagens.
Para o hair designer Diego Brandão, estudioso das tendências no mundo da beleza, hoje existe o movimento de desconstrução de padrões e atendimento mais personalizado, considerando não só os tons de cabelo que valorizam cada um, como também fatores do dia a dia. “É importante bater um papo, ouvir a necessidade da cliente, como é a rotina, se seca o cabelo, se vai no salão com frequência, é uma beleza personalizada, singular”, explica.
Nesse cenário, Diego realça os cabelos de baixa manutenção, aqueles em que não é necessário tantas visitas ao salão para manter. “É o cabelo que não precisa de muito tempo de salão, como clientes que fazem manutenção de cor de seis meses a um ano. Eu costumo falar sempre da mulher atual, a mulher moderna do século XXI, ela trabalha, cuida de casa, de filho, é multifacetada, então ela procura ter menos trabalho com o cabelo. Ele fica lindo dia após dia, vai ficar lindo quando ela vai no salão, mas vai ficar bonito também quando ela estiver em casa, esse é o principal”.
Outro ponto que mudou nos últimos dois anos foi a influência do digital no real. Segundo dados da NPD Group, as redes sociais e as parcerias das marcas com influenciadores, também impulsionaram o mercado, sobretudo o de maquiagem, chegando a representar 23% do total das vendas da categoria. Essa influência pode ser observada também nos cortes e nas tonalidades de cabelos em alta.
Diego destaca três cortes que irão bombar no próximo ano: o shaggy hair, inspirado nos anos 70 e 80, um corte repicado com franjas e camadas, ideal para dar volume; o micro bob, uma variação do bobby antigo com o comprimento até o queixo ou orelha, muito visto nas passarelas atualmente; e o shullet, uma variação que mistura do shaggy e o mullet com costeletas maiores e fios desfiados, é uma opção de cabelo despojado e ótima pedida para pra quem está com o cabelo curto querendo deixar crescer. “A mulherada está desapegando um pouco, o cabelo curto é mais prático e também vai com a imagem que você quer passar”, explica.
Segundo o hair designer, outra tendência forte para 2023 e 2024 são os cabelos coloridos. “As pessoas precisam entender que é muito mais que cabelo, é uma vida, uma expectativa, a gente muda a vidas e isso é muito legal. O cabelo é personalidade, cada pessoa tem um e você pode tudo. Sempre vai ter algo que vai valorizar mais e a gente pode realizar o sonho de cada uma, não precisa se limitar”, pontua.
O mercado da beleza movimenta a economia mundial. Segundo a análise da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o saldo da Balança Comercial do primeiro semestre de 2022 confirma o superávit no valor 11.7 milhões de dólares. Os resultados positivos são puxados principalmente pelos produtos de cabelos, com 17.3 milhões de dólares, 33,5% de crescimento no valor de exportação com relação ao ano passado.