Inovação no campo: Conheça a fazenda no Pantanal especialista em hospedar gados
Conversamos com o pecuarista Carlos Tavares sobre sua proposta de condomínio para gado
Carlos Alberto Tavares é natural de Campo Grande e desde criança possui contato com a natureza e com a pecuária. Durante a infância, morou na fazenda e, quando atingiu a maioridade, começou a trabalhar diretamente com a criação de gado. Aos 25 anos, contudo, decidiu deixar o ramo pecuário e ir para a cidade atuar na área da saúde.
Na época, Carlos desejava tentar coisas diferentes, mas, 10 anos depois de sair do campo, mudanças na administração da propriedade da família o fizeram voltar. “Acho que não deveria ter saído da fazenda, mas naquela época eu tinha outra cabeça, outra maturidade. Hoje sei que da pecuária eu não quero mais sair, é onde me sinto mais feliz e realizado”, observa.
De volta há um ano e meio, Carlos - que recebeu uma parte da propriedade, mas não possuía capital para investir - teve a ideia de montar um condomínio de gado, em que investidores e proprietários pudessem deixar seu rebanho sob os cuidados dele e de sua equipe.
“Percebi que muitos fazendeiros precisavam de um local para colocar mais gado ou parte dele. Então, montei esse condomínio para receber esses pecuaristas, de modo que a minha fazenda gerencia e cuida do gado. Não é um formato de arrendamento comum, onde se é o dono da área e a cede para outra pessoa tomar conta. Eu cedo o espaço e, por meio da minha equipe, gerenciamos e cuidamos de todo trato e manejo e assumimos toda a responsabilidade com o gado”, explica.
Com esse diferencial, Carlos explica que o investidor não precisa se preocupar com a gestão do rebanho, apenas paga uma mensalidade para manter o gado hospedado. Atualmente, a Fazenda Rebojo, que fica na beira do Rio Paraguai, região do Pantanal, cuida e gerencia mais de seis mil animais de investi- dores diferentes. “Trabalhamos com bezerros fêmeas e machos de recria, gado de cria e engorda de vaca descarte. Só não fazemos a engorda de macho”, explica ele.
Dentro do espaço, Carlos deseja iniciar outros negócios, como a venda e compra de gado entre os proprietários que possuem animais hospedados - uma parceria para quem deseja investir no ramo da pecuária, mas não é da área - e também a construção de uma pousada na beira do rio, com a venda dos chalés. “Estou sempre pensando em maneiras de monetizar o meu negócio e criar um ecossistema dentro da fazenda”, pontua.
Mesmo sendo um homem de negócios, a maior prioridade de Carlos é sua filha, Celina, de quase 3 anos. Quando possui um tempo livre, fica com ela, e também gosta de pescar, passear, ver os amigos e ficar na fazenda. Nos próximos anos, pretende continuar investindo na propriedade para expandir os negócios.
Como conselho, o empreendedor defende que, se a pessoa tem um sonho, uma vontade ou objetivo, tem que se arriscar. Porém, é preciso saber a hora de recuar caso as coisas não deem certo. “Se você tem um sonho ou quer abrir um negócio, precisa ficar atento para ver o quanto ele está dando certo ou não. Se for o caso de parar, fechar ou até mesmo recomeçar do zero, é preciso fazer isso na hora certa, não postergar muito uma decisão dessas. Quanto menos tempo se perde, mais tempo se tem pra recomeçar do zero”, complementa.
Ao final, Carlos faz um pedido especial. “Essa mudança de vida que eu tive, esse recomeço, aconteceu depois da chegada da minha filha. Foi quando eu recomecei grandes coisas, mudei e passei a buscar ser uma pessoa melhor. Depois que ela chegou, tudo que eu faço é dedicado a ela. Por isso, quero dedicar essa reportagem à minha filha: Celina Jallad Oliva”, encerra.
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