Tarifaço dos EUA impulsiona Brasil a buscar espaço para carne bovina no Japão

Japão pode liberar compra de carne bovina apenas de três Estados do Sul, o que acende alerta entre produtores do Centro-Oeste e Norte

Por Redação
07/08/2025 13h33 - Atualizado há 3 semanas
Tarifaço dos EUA impulsiona Brasil a buscar espaço para carne bovina no Japão
(Créditos: Reprodução)
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Com a guerra tarifária dos EUA e a possibilidade de perdas de até US$ 1 bilhão em exportações de carne bovina, o Brasil busca abrir seu mercado com o Japão, que pode autorizar a importação após 20 anos de negociações. Entretanto, a exclusão inicial de frigoríficos de estados como Mato Grosso e São Paulo gerou preocupações, pois os três estados do Sul representaram apenas 3,5% das exportações brasileiras de carne em 2024. O governo brasileiro tenta ampliar a inclusão de outros estados e espera que uma missão ao Japão resulte em um acordo para uma abertura mais abrangente até novembro.

Com a guerra tarifária imposta pelos Estados Unidos e o risco de perder até US$ 1 bilhão em exportações de carne bovina já em 2025, o setor frigorífico brasileiro aposta na abertura do mercado japonês como alternativa estratégica. A expectativa é que o Japão autorize ainda este ano a importação da carne brasileira, após mais de duas décadas de negociações.

O país asiático importa cerca de 700 mil toneladas de carne bovina por ano, mas sinalizou que apenas os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul devem ser contemplados inicialmente. O setor esperava que a liberação abrangesse todo o território nacional, sobretudo após o Brasil receber, em maio, o status de livre de febre aftosa sem vacinação da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), principal exigência do Japão.

A possibilidade de exclusão de frigoríficos de outras regiões preocupa empresários. Estados com maior peso na pecuária, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará e São Paulo, cobram que também sejam incluídos. O setor enviou ao governo o alerta de que uma eventual abertura parcial representaria uma “restrição injustificável” às empresas fora do Sul.

Dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura, mostram que os três Estados sulistas embarcaram 98,4 mil toneladas de carne em 2024, o que representa apenas 3,5% das mais de 2,8 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil no ano. Os maiores exportadores foram São Paulo (638,8 mil toneladas), Mato Grosso (624,2 mil), Goiás (386 mil) e Mato Grosso do Sul (282,2 mil).

O governo brasileiro, por sua vez, afirma que a decisão cabe às autoridades japonesas. Ainda há tentativas de incluir Acre e Rondônia na primeira leva de Estados autorizados. “O pedido sempre é mais amplo. Entendemos que todos os Estados têm o mesmo status sanitário”, disse o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua.

Ele explicou que apenas o bloco 1 — formado por Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Acre e Rondônia — está com a documentação atualizada junto ao Japão. “Pensando no que é fático, os documentos são desses cinco Estados. Vou entender com minha contraparte japonesa o que eles querem”, acrescentou.

Enquanto isso, o setor articula apoio político junto a governos estaduais para pressionar por uma autorização mais abrangente. Algumas lideranças defendem que a habilitação ocorra apenas se contemplar todos os Estados, numa estratégia de “tudo ou nada”. Porém, o governo federal considera essa postura inviável no atual cenário. Um executivo avaliou que o “radicalismo” foi contornado e outra liderança reconheceu que não se pode dispensar avanços, mesmo que parciais, diante da tensão comercial com os EUA.

Uma missão do Ministério da Agricultura embarca ao Japão na próxima semana para reuniões com autoridades locais. A expectativa é de que, se houver acordo, o anúncio oficial ocorra em novembro, durante a visita do primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, ao Brasil.

Em junho, técnicos japoneses estiveram no Brasil para uma auditoria inédita no sistema de inspeção nacional — considerada um marco nas tratativas. A inspeção foi restrita aos três Estados do Sul, que já haviam enviado documentação anteriormente, incluindo dados de vigilância de rebanhos e abates. Acre e Rondônia enviaram os documentos depois, mas não a tempo de serem incluídos no roteiro da missão técnica. “Os demais Estados e o Distrito Federal não têm documentação lá”, explicou Rua, sem descartar a necessidade de nova auditoria in loco.

As entidades Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) enviaram ofício ao Ministério da Agricultura nesta semana, reforçando a preocupação com uma abertura limitada e pedindo que as negociações foquem na liberação da carne bovina de todo o Brasil.


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