O governo brasileiro firmou um novo acordo com o México para exportação de ossos processados, essenciais para indústrias de alimentação animal, gelatina e fertilizantes. Essa medida ocorre em um contexto de queda acentuada nas exportações de carne bovina para os Estados Unidos, que despencaram 80% nos últimos três meses. O Brasil, ainda líder nas exportações de carne para os EUA, viu as vendas reduzirem significativamente desde a imposição de tarifas adicionais. Além disso, em 2024, o México já importou mais de USD 2,9 bilhões em produtos agropecuários do Brasil.
O governo brasileiro anunciou nesta quarta-feira (23) um novo acordo com o México para a exportação de ossos processados. A medida foi oficializada pelo Itamaraty, que destacou a importância do produto para a indústria de alimentação animal, produção de gelatina, colágeno e fertilizantes — setores que apresentam demanda crescente no país vizinho.
“Ossos processados são matéria-prima de valor para a indústria de alimentação animal, produção de gelatina, colágeno e fertilizantes, setores com demanda crescente no México. O novo acordo contribui, assim, para a sustentabilidade da agroindústria em ambos os países“, diz trecho do comunicado do Itamaraty.
O acordo ocorre no mesmo período em que as exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos apresentam queda expressiva. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as vendas do produto caíram 80% nos últimos três meses.
Segundo dados oficiais, em abril, quando o então presidente Donald Trump anunciou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros, o Brasil exportou 47,8 mil toneladas de carne bovina aos EUA. Em maio, o volume caiu para 27,4 mil toneladas, diminuindo novamente em junho, para 18,2 mil toneladas. Já neste mês de julho, as exportações chegaram a 9,7 mil toneladas, consolidando uma redução de 80% no trimestre.
O Brasil segue como maior exportador de carne bovina para os Estados Unidos, à frente de países como Austrália, Nova Zelândia e Uruguai. O mercado americano é o segundo maior destino da carne brasileira, ficando atrás apenas da China.
Em nota, o Itamaraty ressaltou que, somente em 2024, o México importou mais de USD 2,9 bilhões em produtos agropecuários do Brasil, com destaque para soja, proteína animal, café e produtos florestais. O governo federal contabiliza agora 397 aberturas de mercado desde o início de 2023, resultado do trabalho conjunto entre o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).