Mais que movimento: Conheça o projeto Mil pelo Planeta
Projeto de reflorestamento já plantou mais de cinco mil mudas no estado
Por Rúbia Pedra
Foi no “Dia da Árvore”, em 2020, que o designer Neo Avila, que havia se mudado para Bonito (MS), teve a ideia de realizar uma ação voltada ao plantio de algumas mudas. Depois de conversar com uma amiga, ambos resolveram encontrar um espaço de um hectare para as árvores. Neo pensou, “Dá para plantar umas mil árvores aqui”. E, assim, surgiu o Mil Pelo Planeta, que acabou virando um movimento pelo reflorestamento de áreas do Cerrado.
Com a receptividade do primeiro plantio, Neo recebeu pedidos e convites para levar a ação para outros espaços, com uma vontade coletiva de fazer algo pelo planeta. “Passamos por uma seca aqui em Bonito no ano retrasado que se repetiu ano passado, e vimos que aquilo tudo era uma maneira de fazer algo, ao invés de adotar um discurso de apontar o dedo. Eu procurei, até como coordenador do Mil, seguir uma linha que fosse mais inspiracional. Então, aquela ação que era pra plantar mil árvores se transformou num movimento. Estamos indo pro sétimo plantio!”, conta o idealizador.
Para os plantios, o grupo criou um modelo próprio, com o conceito de modelo agroflorestal, em que não se planta apenas árvores, mas também, sementes, principalmente de árvores frutíferas, que ajudam as mudas a crescerem e a terem matéria orgânica e sombra. Além disso, eles usam o hidrogel, que auxilia a muda a se desenvolver na seca, e também um suplemento para as raízes, para que elas cresçam fortalecidas. “Todo o plantio sempre tem uma pessoa que é muito técnica, que entende de espécies, plantas, sempre tem alguém dessa área para explicar e ajudar”.
Em toda a ação, Neo organiza o fornecimento de mudas, preparo do solo, feitio dos buracos para plantar e até lanches para a equipe durante o dia. Os plantios são gratuitos e os voluntários não precisam se inscrever antes para colaborar. Segundo Neo, o momento é um encontro com troca de experiências e permite que várias faixas etárias e perfis se voluntariem para a ação. “Temos desde proprietários de terras que querem fazer um sistema agroflorestal e reflorestar, que tem um rio perto, para recompor uma mata ciliar. Tem também propriedades particulares que querem ter um projeto de reflorestamento, porque eles sabem que isso valoriza o espaço, e a gente tem uma parceria com o município de Bonito, que liberou algumas áreas pra gente fazer o plantio em bairros”.
Durante os plantios, há também os momentos de confraternização, com cafés da manhã e da tarde. “Eu acredito que o principal motivo do sucesso da ação é o foco que damos no ser humano, no que cada um tá passando. Cada um tem um porquê de estar ali, plantando com a gente, tem algo a acrescentar e é só por isso que a gente conseguiu montar um modelo próprio, porque cada pessoa realmente trouxe algo, e que faz diferença ali no plantio”.
Neo conta que a iniciativa deu tão certo que, para o ano de 2022, há um cronograma de plantio para todos os meses, que também inclui expansão para além do estado, com ações em São Paulo e na Argentina. Até janeiro deste ano, o Mil plantou cerca de cinco mil e 500 árvores em sete encontros e a previsão até o final do ano é passar da marca de dez mil. “A coisa vai tomando uma proporção e não pode ser centralizado, mesmo. Eu acho que se a gente quer plantar cada vez mais mudas e em cada vez mais lugares, temos que abraçar isso e fazer vários plantios ao mesmo tempo. A ideia é: quanto mais plantios, melhor”.
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Os locais de plantio são escolhidos em conversas e, também, com uma análise do local, para conferir a viabilidade de se implementar o sistema. A maioria dos espaços busca o reflorestamento para restabelecer a flora e a fauna das áreas. “No final do ano, quando criamos uma rede, surgiram muitos pedidos de plantio. Então hoje tem uma fila de locais que eu preciso gerenciar pra encaixar. Mas existem por todo o estado, pra fora e na América Latina”, conta Neo.
Além de tudo disso, o plantio deve ser responsável. A propriedade escolhida normalmente assume o compromisso de regar e cuidar do sistema que foi implantado.
Nessa mobilização de reflorestamento, o coordenador entende que o futuro do Mil está relacionado também com a compensação de carbono e como as ações dos plantios afetam esse ecossistema. “É uma questão que eu tenho levantado a partir desse último plantio, que é justamente o quanto de carbono que a gente retirou da atmosfera com a ação. Até agora foram pouco mais de duas toneladas de carbono que a gente conseguiu, com 500 mudas de árvores. Isso sem contar com aquelas sementes todas que a gente planta junto”, explica. Com isso, o mil se enquadra como uma empresa regenerativa, que nasce com o propósito de resolver problemas que já existem.
Segundo Neo, hoje ele percebe o Mil como sua missão, e entende que, com ações coletivas, é possível reverter muitas ações humanas. “É muito transformador. Quando a gente começa a plantar, começa a rever muitos outros pontos da vida e vê que, nessas ações simples de conexão com a natureza, a gente consegue superar tristezas profundas, perdas e momentos difíceis da vida. É também uma busca espiritual, de conexão pela natureza”, complementa.
Para saber mais sobre as datas e locais de plantios, ou se quiser colaborar com ações, fique ligado no perfil do Instagram @milpeloplaneta e participe!
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