Por que o ovo de Páscoa ficou ainda mais caro em 2025? Entenda
Fatores como clima, pragas e câmbio pressionam o mercado de chocolate
Por Lauren Netto
Os tradicionais ovos de Páscoa, que sempre figuraram entre os itens sazonais mais caros, estão ainda mais pesados no bolso dos consumidores em 2025. De janeiro a fevereiro deste ano, o preço médio dos produtos subiu 9,5%, segundo levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O valor acumulado dos últimos três anos chega a 43%. O maior salto foi registrado em 2023, com alta de 18,61%. No ano passado, o aumento ficou em 10,33%, ainda assim acima da inflação. A tendência segue neste ano, impulsionada pelos altos custos de produção da indústria de chocolates. O cacau, principal insumo, segue com preços elevados no mercado internacional. Apesar de estar abaixo dos recordes de 2023, o cenário ainda é de oferta apertada e instabilidade na produção. Fatores logísticos e problemas climáticos nos países produtores continuam a sustentar a valorização do produto nas bolsas de commodities. Outros insumos também tiveram aumentos significativos, como açúcar, leite, embalagens, transporte e energia elétrica. Além disso, a alta do dólar impacta o setor, já que boa parte dos materiais utilizados na fabricação dos chocolates é importada. Diante desse cenário, grandes marcas no Brasil adotaram estratégias para minimizar os impactos. A produção de ovos de Páscoa foi reduzida em cerca de 10%, com foco maior em alternativas mais acessíveis, como tabletes e bombons. Além disso, muitos produtos passaram por uma redução de tamanho sem alteração no preço final — movimento conhecido como “reduflação”.
Entenda a alta do cacau Dois países concentram cerca de 60% da produção mundial de cacau: Costa do Marfim e Gana. Ambos enfrentaram problemas climáticos nos últimos anos, com excesso de chuvas seguidas por períodos de seca. Isso reduziu a produtividade das plantações e favoreceu o avanço de doenças como a vassoura-de-bruxa e a podridão-marrom. Com a oferta em baixa, o preço da tonelada de cacau disparou. Em 2024, o valor chegou a saltar de US$ 5 mil para mais de US$ 12 mil na Bolsa de Nova York, representando uma alta de cerca de 150%. Atualmente, o preço oscila entre US$ 7,9 mil e US$ 8 mil, a depender do contrato de vencimento.
No Brasil, maior produtor de cacau da América Latina, os estados da Bahia e do Pará também enfrentam desafios semelhantes. O país vem sofrendo com a queda na produção, afetada por pragas e pelo abandono de áreas antes dedicadas ao cultivo, que migraram para atividades mais rentáveis.