Lula chora, elogia TSE e fala que democracia enfrenta desafios

Petista citou Deus e disse que o resultado eleitoral é vitória da democracia, que precisa ser defendida

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Por redação

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), foram diplomados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira (12). A cerimônia acontece desde 1946 e marca o fim das eleições. O rito significa que o candidato eleito está apto a assumir o cargo.

Em seu discurso, Lula citou os dias em que esteve preso em Curitiba (PR), prometeu “restabelecer a ordem democrática” e chamou seus adversários de “inimigos da democracia”. O petista teceu elogios ao TSE e aos integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) pela “firmeza na defesa da democracia” e por “fazer valer a soberania do voto popular”.

Durante a diplomação se emocionou e fez uma ampla defesa da democracia, que pra ele enfrenta desafios, "talvez maior do que no período da 2° Guerra Mundial".

“A democracia enfrenta um imenso desafio ao redor do planeta, talvez maior do que no período da 2ª Guerra Mundial. Na América Latina, na Europa e nos Estados Unidos, os inimigos da democracia se organizam e se movimentam. Usam e abusam dos mecanismos de manipulações e mentiras, disponibilizados por plataformas digitais que atuam de maneira gananciosa e absolutamente irresponsável”, disse.

Lula também defendeu a regulação das plataformas digitais, mas não detalhou como isso deveria ser feito ou quando. Disse apenas que a solução é uma “legislação internacional mais dura e eficiente”. O presidente falou por 14 minutos e citou a palavra democracia 21 vezes. Veja na íntegra do discurso:

LINK|-|https://www.youtube.com/watch?v=pVmN8OxYwqc|-|Discurso inteiro

Em longo trecho, Lula afirmou que “poucas vezes na história do país a democracia esteve tão ameaçada” e a vontade popular “foi tão colocada à prova” e “teve que vencer tantos obstáculos para, enfim, ser ouvida”. “Quero dizer que muito mais que a cerimônia de diplomação de um presidente eleito, esta é a celebração da democracia”, disse.

Durante seu discurso, Lula classificou como corajosa a atuação do TSE e do STF (Supremo Tribunal Federal) durante o processo eleitoral deste ano ao terem, segundo ele, enfrentado “toda sorte de ofensas, ameaças e agressões para fazer valer a soberania do voto popular".

Sem citar seu adversário direto, o presidente Jair Bolsonaro e aliados dele, Lula criticou a tentativa de questionamento da lisura das urnas eletrônicas usadas nas eleições e disse que a medida era uma tentativa de “sufocar a voz do povo”.

“Não foram poucas as tentativas de sufocar a voz do povo. Os inimigos da democracia lançaram dúvidas sobre as urnas eletrônicas, cuja confiabilidade é reconhecida em todo o mundo”, pontuou.

Antes, o petista havia dito que a disputa eleitoral foi entre “duas visões de mundo e de governo”. “De um lado, o projeto de reconstrução do país, com ampla participação popular. De outro lado, um projeto de destruição do país ancorado no poder econômico e numa indústria de mentiras e calúnias jamais vista ao longo de nossa história”, afirmou.

Choro

Lula se emocionou, chorou e teve que interromper o discurso logo no início ao lembrar da sua 1ª diplomação, em 2002. “Lembrei da ousadia do povo brasileiro em conceder, para alguém tantas vezes questionado por não ter diploma universitário, o diploma de presidente da República”.

O petista se comprometeu a cumprir, juntamente com Alckmin, o que assumiu durante a campanha eleitoral de fazer do Brasil “um país mais desenvolvido e mais justo, com a garantia de dignidade e qualidade de vida para os brasileiros”.


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