Por redação
O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou cinco ministros do futuro governo nesta manhã. Se cumprir as promessas, o governo petista deverá ter pelo menos 33 ministérios.
Veja quem são os futuros ministros:
Fazenda
Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo.
Ministro de Lula e Dilma Rousseff (PT) por quase sete anos, entre 2005 e 2012, Haddad tornou-se o principal nome da sucessão petista - tanto que o substituiu na eleição de 2018, quando o então ex-presidente foi preso.
Mestre em Economia, ele já havia sido cotado para a Fazenda já em 2018 e voltou à mira ao final do segundo turno, após ser derrotado pelo bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo.
Desde então, tem circulado com o presidente eleito: foi ao Egito para a COP-27, maior conferência global sobre o clima, mesmo sem discursar e o acompanha nos eventos mais importantes em Brasília. Ele assume a pasta que volta a ser desmembrada do Ministério da Economia, com Fazenda e Planejamento.
Defesa
José Múcio (PTB), ex-ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) e ex-deputado.
Com tradição em partidos de direita, como PFL (hoje União Brasil) e PTB, Múcio foi deputado por Pernambuco por cinco mandatos e nomeado por Lula como ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais (2007-2009) e Ministro do TCU (2009-2021).
Seu nome foi trabalhado dentro do futuro governo como um meio do caminho entre a aliança que elegeu Lula e os órgãos envolvidos com a Defesa, em especial os militares.
Lula já havia fincado o compromisso que de não colocaria um militar na pasta, em contraposição ao que aliados chamam de uma "militarização do governo" promovida por Bolsonaro. Por outro lado, representantes das Forças Armadas indicaram que também não aceitariam um nome "estritamente político".
Justiça
Flávio Dino (PSB), senador eleito e ex-governador.
Governador do Maranhão por dois mandatos e senador eleito em outubro, Dino é um dos principais articuladores e aliados de Lula no Nordeste e entre os estados que compõem a Amazônia Legal.
Juiz federal por quase 12 anos, é defensor de pautas sociais voltadas à área do direito e foi o principal reformador do sistema carcerário do Maranhão. Também transformou o estado na região com maior número de restaurantes populares do país.
Seu nome é tido como consenso à esquerda. Ele, no entanto, era contra o desmembramento do Ministério da Justiça e Segurança Pública em duas pastas, o que irá ocorrer.
Casa Civil
Rui Costa (PT), governador da Bahia.
Eleito governador duas vezes em primeiro turno, o governador baiano, apadrinhado pelo senador e ex-governador Jaques Wagner (PT-BA), conseguiu eleger seu ex-secretário Jerônimo Rodrigues (PT) para sucedê-lo em uma das maiores viradas sobre o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil).
Tido como um homem sério, bem articulado e extremamente leal, seu nome chegou a ser especulado para a sucessão de Lula em 2018 e segue como uma das prospecções de Lula e Wagner para o futuro no Palácio do Planalto.
Relações Exteriores
Mauro Vieira, ex-chanceler e embaixador.
Diplomata de carreira, Vieira ocupou o Itamaraty no final do governo Dilma, entre 2015 e 2016. Após o impeachment, tornou-se embaixador do Brasil na ONU (Organização das Nações Unidas) e hoje representa o país na Croácia.
Vieira tem contato direto com Lula e é próximo do ex-chanceler Celso Amorim (PT), principal conselheiro do presidente eleito sobre relações exteriores.
Segundo aliados, ele também tem o perfil pacifista e é a favor da política de integração com as chamadas "nações em desenvolvimento" ou "do terceiro mundo", principal mote do futuro governo na área internacional.